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Intolerância Religiosa e Outras

A menina de 11 anos, vestida de branco como é comum, foi agredida com uma pedrada depois que dois homens insultaram o grupo que saía de um culto de candomblé.



Lamentavelmente, isso seria comum num país de fanáticos, mas o Brasil não é exatamente um local de preconceito religioso. Ainda mais se considerarmos que as religiões, seitas ou práticas africanas como o candomblé, sempre foram cantadas em verso e prosa e até como enredo de carnaval, além de um certo toque de exotismo.



O Brasil é um país católico e pouco se tem notícia de brigas religiosas por aqui - o que não significa que não haja preconceito.  Mesmo assim, essa menina deve ser lembrada como um incidente pontual e não uma regra, afinal, quem nunca jogou uma flor no mar para Iemanjá ?


Não há por aqui o fanatismo que matou os cartunistas franceses da revista Charlie Hebdo (veja aqui) ou o atentado contra os judeus em Buenos Aires em 1994, mas ele existe. O racismo e a segregação ainda são fortes no Brasil, apesar das Leis e das orientações contrárias a isso. Até os migrantes são alvo de preconceito, especialmente aqueles vindos do nordeste. São chamados indistintamente de paraíbas mesmo que sejam baianos, cearenses ou alagoanos. Basta que sejam do nordeste.


Homofobia, então, nem se fala. Todos os dias vemos notícias de pessoas atacadas apenas porque estão em "atitude suspeita".


No Brasil existe um outro tipo de intolerância e que, infelizmente, também acontece no mundo todo.


O esporte, que deveria ser uma forma de agregar os povos, encontra no futebol o melhor (ou pior) exemplo. As torcidas literalmente se matam em qualquer lugar que porventura se cruzem: no metrô, nas ruas, estádios... até ciladas com os ônibus da torcida rival, que são recebidos com pedras, rojões e até tiros. Essas pessoas se armam com barras de ferro para um evento que uma pessoa normal quer participar por pura diversão: assistir a um jogo de futebol. 


E é nisso que eles encontram diversão: gritar a vitória e agredir os rivais ou amargar a derrota e partir para agredir os rivais. Muitos já morreram nessa diversão macabra, onde se vê esses animais chutando a cabeça de um coitado caído inconsciente.



E não param aí. Esse fanatismo estúpido já alcançou até o futebol de salão, o basquete e o desfile de escolas de samba de São Paulo, entre outros.


Essas pessoas não são diferentes daquelas que matam em nome de Deus. Todos falharam no quinto mandamento.


O homem é mau e nasce mau.  O meio pode deixá-lo melhor.




NE: "O Nome de Deus" [Obra póstuma] (in: Confraria 2 anos, 2007) Gerardo Mourão


Imagem: Banksy (banksy.co.uk)




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